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Spin-off académico inventa novos sensores

Indústria de telemóveis é o primeiro alvo dos empreendedores

Vitor Sencadas, 29 anos, actualmente aluno de doutoramento do Departamento de Física da Universidade do Minho, é o inventor de uma tecnologia que promete um “grande impacto financeiro” na indústria de telemóveis. A empresa, constituída por outros quatro parceiros, recebeu agora o prémio do VI Concurso de Ideias para Criação de Empresas promovida pela NET – Novas Empresas e Tecnologias e, por isso, terá direito a doze meses de incubação no ninho de empresas do centro de inovação do Porto (ver caixas com restantes vencedores).
Os novos materiais para componentes electrónicos que Vitor Sencadas desenvolveu baseiam-se nas potencialidades dos polímeros piezoeléctricos (propriedade que alguns materiais possuem de quando estimulados electricamente sofrem uma alteração nas suas dimensões) e podem também ter interesse para a indústria médica e automóvel.
As áreas de aplicação vão desde a concepção e implementação de sensores e actuadores, dos ecrãs tácteis e teclados aos têxteis inteligentes, à geração de energia e sua acumulação. “As principais características do material, flexibilidade e/ou transparência e/ou electroactividade, são necessárias em alguns produtos que já existem no mercado e para potenciais mercados que vão aparecer num futuro tecnológico”, defendem os promotores do projecto.
A ideia já tinha sido seleccionada no âmbito da iniciativa do COHiTEC em 2006 e, por sugestão desses organizadores, à equipa de físicos e engenheiros (Vitor Sencadas, Jivago Nunes e Miguel Gonçalves) aliaram-se as competências de gestão e financeira (Filipe Barros e Tiago Sanches). Os jovens empreendedores, todos com idade entre os 29 e 32 anos, já têm em mãos duas patentes registadas pela TecMinho, fruto de uma investigação que decorre desde 2002 na Universidade do Minho, sob a orientação do professor Senentxu Lanceros-Méndez.
Até final de Março, com o apoio financeiro da Universidade, a Somatica divulgará um protótipo “mais apresentável”, explica Jivago Nunes. E, a partir daí, o seu braço comercial sairá à conquista de clientes e de empresas de capital de risco que estejam disponíveis para financiar os dois milhões de euros necessários para dar inicio à produção dos sensores. “O BES já demonstrou interesse”, diz. Dada a novidade, o grupo fornecerá também consultadoria para a aplicação da descoberta.

(Jornal de Negócios)

2007-03-13

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